sábado, 1 de abril de 2000

Botelha ao mar 1


UM TIPO COM TRES TELEFONES MOBEIS:

Perdeu o seu e acaba de achá-lo. Mentres tanto ele comprou um novo e a sua namorada, sem sabê-lo, deu-lhe outro. Agora anda com três e recebe chamadas polos três. Anda um bocado desconcertado alerta ás chamadas e aos bolsos. E os bolsos da chaqueta estám a ceder.

“QUE COUSA vê, Jerónimus Bosch, o teu olho atónito?”
(D.Lampsonius)

A OPERA é TRANSEXUAL.

Tantos anos, desde crianças, a trabalhar a máscara da virilidade, a cultivar a figura e o timbre “masculino” da voz…, e de repente reparas em que estás a cantarolar umha ária da gueixa da Madanme Buterfly, ou da Penélope do “Retorno de Ulise in Patria”, ou da Dido de Purcell…, buscando na tua gorja um registro de mulher rendida.
A ópera é verdadeiramente perturbadora da nossa identidade. Nom é estranho que um macho como é devido a despreze. Puta ópera.

A ANARQUIA POLO CHAN

Um “yonki” preso numha mirada psicótica, loce umha camisola preta com um grande “A” dentro dum círculo enorme. Que desconcerto o dos velhos anarquistas, laboriosos, sonhadores e austeros, se vissem esta humanidade tam lastimada e lastimosa a anunciar o que foi a súa utopía. O sonho deriva cara o pesadelo. E a esperança em niilismo.

ACABO de saber que os meus apelidos Toro e Santos formam o Touro Divino, o Dioniso. Um segue avançando no autoconhecimento pola palavra.

ALGUÉM LEVANTA UMHA CASA, grande e boa, com finca. Chanta nela um hórreo, um cruzeiro entre o céspede. Nem o hórreo vai guardar grao nem o cruzeiro santifica ou protege cousa nengumha.

Esta espécie de aparente saúdo respeitoso ao “tradicional” nom é mais que insulto ao trabalho e à piedade, pois nada mais serve para anunciar que o triunfal proprietário já nom tem que trabalhar na terra, como na sua infáncia ou como os seus pais, e que também nom crê em religiosidades de gente supersticiosa. Ele e mais a sua esposa e filhos já bebem Coca-Cola.

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